Há uma possibilidade de silêncio no mundo, isto é, o mundo parece verdadeiro apenas na quietude do ser. Muitas vezes, não se tem a possibilidade de falar, porque a fala já é recebida como desentendimento. Como uma face verbal negra e sem valor. No silêncio da literatura, talvez possamos gritar com mais verdade para o mundo. Velando nossas verdades nas palavras. Deixando ecos a descobrir em cada palavra que notamos a partir de nossa visão de mundo. Quem quiser a procure e talvez ninguém nunca a procure, porque as palavras talvez só sejam para si mesmas. Desinteressadas do mundo, mesmo assim se põem no mundo. Na leve quietude da iminência do nada. As palavras já foram para quem escreveu e é isto que importa. Ou não importa, e é por isto que lemos.
Estendemos nossos espíritos e deitamos a fim de vislumbrar um horizonte somente na grafia das palavras. E sozinho, no silêncio, por mais doloroso e sem alteridade que seja essa mudez existencial, podemos nos abrir e ser livres. Parece que somente aqui podemos ser livres. Levarmo-nos para onde queremos. Invadir o que queremos. Sugar do mundo o que bem pretendemos.
As palavras, apesar de serem construções abstratas de uma visão de mundo e de uma inteligência de mundo, que jamais serão as mesmas, alteram um peso de nossas existências. Saindo e nascendo para o mundo, as palavras parecem jogar para fora partículas iminentes de explodirem no interior dos corpos. Porém, essas partículas podem ficar nos corpos uma vida inteira, porque, impossibilitados pela pobreza da linguagem, e chamo aqui a linguagem escrita, os seres não conseguem expressar os seus sentimentos absolutos e, desta forma, silenciam seu vasto e único espírito vivido.
O que quero dizer com isto é que alguns emudecem porque não conseguem falar, outros emudecem porque não podem falar. É nesse duplo silêncio que se dá a possibilidade cada vez mais constante do silêncio. Da quietude. Do nascer de um humano silencioso, posto que desatado da possibilidade de sua liberdade de falar. De pré-sentir algum mundo e, com prazer, inter-relacionar um microcosmo interior e autêntico porque uno.
O silêncio: aqui se esconde a beleza da Literatura. Mas o silêncio também é a impossibilidade de ser livre.
Estendemos nossos espíritos e deitamos a fim de vislumbrar um horizonte somente na grafia das palavras. E sozinho, no silêncio, por mais doloroso e sem alteridade que seja essa mudez existencial, podemos nos abrir e ser livres. Parece que somente aqui podemos ser livres. Levarmo-nos para onde queremos. Invadir o que queremos. Sugar do mundo o que bem pretendemos.
As palavras, apesar de serem construções abstratas de uma visão de mundo e de uma inteligência de mundo, que jamais serão as mesmas, alteram um peso de nossas existências. Saindo e nascendo para o mundo, as palavras parecem jogar para fora partículas iminentes de explodirem no interior dos corpos. Porém, essas partículas podem ficar nos corpos uma vida inteira, porque, impossibilitados pela pobreza da linguagem, e chamo aqui a linguagem escrita, os seres não conseguem expressar os seus sentimentos absolutos e, desta forma, silenciam seu vasto e único espírito vivido.
O que quero dizer com isto é que alguns emudecem porque não conseguem falar, outros emudecem porque não podem falar. É nesse duplo silêncio que se dá a possibilidade cada vez mais constante do silêncio. Da quietude. Do nascer de um humano silencioso, posto que desatado da possibilidade de sua liberdade de falar. De pré-sentir algum mundo e, com prazer, inter-relacionar um microcosmo interior e autêntico porque uno.
O silêncio: aqui se esconde a beleza da Literatura. Mas o silêncio também é a impossibilidade de ser livre.