desci um livro numa cumbuca
aos vizinhos do primeiro andarDisse: adeus, vai-te livro vagabundo
pela corrente vertical do ar,
vai-te espécie estranha
coberta de entranhas do desejar.
o livro chega nauseabundo
sem qualquer acabrunhar
sem as dores da chegada
nem saudades de parir no ar.
ninguém apareceu
(coitada da mão que o pariu)
ninguém se dispôs a lampejá-lo
nem o cachorro comeu
nem a chuva gerou o cotejar.