30 abril 2010
miudezas de criança
x. um vento forte é Deus soprando do céu.
y. raios são móveis lá de cima sendo arrastados e riscando o chão do céu.
26 abril 2010
A derrota da página em branco II
"Conselhos a um principiante para enfrentar a página em branco: tratar de driblar a plúmbea tradição acumulada e buscar percepções, ideias novas. Agora, para driblar é necessário ter lido previamente muito. Pode parecer paradoxal, mas somente tendo lido muito se pode tentar a aventura de ir em busca do frescor, do gesto que devolva à arte a potência que teve em suas origens. Por isso, me surpreendem os escritores jovens que dizem escrever sem previamente ter lido bastante. Aos que dizem passar de Dickens e Proust, quero adverti-los que, como a escrita é uma carreira de fundo, com o tempo podem ficar sem uma lamparina em seu cérebro literário e se converter em desenhista de gibis, mas não em escritores. Em resumo: recomenda-se ler e ser contemporâneos. Esse último parece óbvio, mas tenha em conta que na literatura espanhola [brasileira?] algo tão simples como ser contemporâneo tem sido geralmente uma raridade."
[fonte: Enrique Vila-Matas, no El País.com, em 17/04/2009; tradução livre]
20 abril 2010
A derrota da página em branco
"Parto de uma atitude permanente no sentido de que a manifestação ou a presença do pensamento poético é uma parte de minha vida. Esse pensamento poético, para dizê-lo de alguma maneira, permanece imobilizado, mas está comigo todo o tempo. E, em algum momento, uma parte de meu cérebro que os cientistas estão localizando em nós, põe em marcha esse pensamento poético de que falo, o qual, no meu entender, difere de qualquer outra modalidade de pensamento. É uma linguagem interior que se ativa ritmicamente, em sua aparição há um desencadeante musical, e esse pensamento rítmico é identificável como pensamento poético. O que não se deve fazer, sem que isso seja um lei de aplicação geral, é criar um projeto, programar, criar algumas metas ou significações prévias com fins de escrita poética. Não é precisamente o automatismo puro dos surrealistas, mas sim uma atividade que não deve ser intervinda por outras formas de pensamento. Finalmente, de maneira quiçá não perceptível, para o poeta até o final aparece sim um sentido, um conhecimento que parte do não saber, o que dizia Juan de Yepes, ao saber, ao conhecimento, mas por mecanismos que não são a indagação, o estudo ou a indagação prévia."
[fonte: Antonio Gamoneda, no El País.com, em 17/04/2009; tradução livre]
18 abril 2010
cerejas
Silêncio! Período de cerejeiras em flor. - Vede, silencioso, as cerejeiras silenciadas sob a aurora das flores. Uma flor de cereja: para cada silenciador: para cada silenciamento...
11 abril 2010
chor
Há um cheiro de chorume no ar
estamos incólumes?
- estou num chorume,
me amassa...
sinto as veias vazarem.
chove?
Sim. Lixo e Chorume
no vento: breves pontadas
logo escorridas.
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