02 fevereiro 2015

Sem título


O céu da boca
engole o Sol da meia-noite

Sobrevêm as estrelas cadentes
prenunciando a aurora

O astro na ponta da estrada
sulca os pés nas sombras dos gramas da alma
cintila um rastro de poeira
cósmica e relativa

Os lábios ondeiam o horizonte
devoram luz
sorvem trevas
camadas de adjetivos fátuos

(A boca da Lua à meia-noite
no largo esquerdo do peito irisado)

O Sol candente sonha na neblina do corpo
aurora as mãos
candeia os movimentos

A pele orvalha
as gotas fremem

Sinto que vêm
o espanto da manhã
a sutura do vento
a dança das flores

Vem como como boca
e me anuncia.