16 maio 2012
às 17h30
- ali, mamãe, um mendigo!
- quem?!
- os mendigos, mamãe, a tia disse que eles mastigam o tempo!
- onde?!
- ali, ali, ali, ali...
- não tô vendo não.
- pô, mãe, tá ali...
- tá frio, filho, tá muito frio, acaba de comer suas horas.
- olha, mãe, dizem que na êurópa os mendigos morrem de frio, e treme igual o Bob!
- aqui não tem frio, filho.
- então eles morrem de quê, hem? deve morrer, o Bob quase morreu...
- não sei.
- tão com cara de cansados, tipo aquela bala que derreteu ontem na minha mochila.
- deve ser a hora.
- mas mendigo tem relógio, mamãe?
- às vezes, sim, às vezes, não.
- será que eles sabem que é hora de voltar pra casa? eles têm pai pra voltar pra casa?
- sabe, tem, filho...
- poxa, manhêê, não fecha o vidro não, eu quero ver.
08 maio 2012
Longitude
a cerca elétrica
onde desabam estrelas cansadas
da capital Lua
a natureza indiferente
soberba insana
adjetivada
pelo respiro do mar
no respiro do mar
elétricofaísca nos olhos
a indiferença
das ondas que te jogam
no alto mar demente
escuro é o ser que dorme
revoado por estrelas soturnas
que respiram pelo mar
cercadas e adquiridas
pela infâmia
a Cerca
Elétrica, Infame
Capital
a Cerca
soçobrada apagada
sufocada adquirida
a Cerca viva
esturricada sangrada
pela Vida.
Assinar:
Comentários (Atom)