16 fevereiro 2009

Sambalêlê

invade a festa profana
para a burguesia ipanemense passar
joga fora seus corpos condicionados
nas vitrines-apartamento
Burguesia,
vem brincar!

aqui na linha tênue da rua
aqui na pontinha
com seus corpos um só modelo
tão modelos que já podem ser vendidos
for sale & samba.

vem burguesia
aqui na sarjeta
onde a água passa
e o esgoto fica
mesmo com seu ouro e sua prataria
mesmo com a Arte de seus dólares
mesmo com os celulares colados a New York, Paris and London
requebra-requebra, burguesia,
no ventinho do mar azul
vem...

no limiar da loucura carnavalesca
alô alô bourgeoisie de Ipanema
aladas faces branquinhas e rosáceas
deixa as meninas aí
e vem...

deixa as bordadeiras

de seus aquários gigantes
com seus vestidinhos cinza-azuis
saracotearem nas janelas;
deixa as novas donas aí
de camarote dançar o samba.

ô Ipanema dos burgueses
vem com Eros que ele lhe dá samba
sambalêlê, ó Ipanema, sambalêlê.

01 fevereiro 2009

Ofélia in blues

Há os que mergulham fundo e se perdem. Há os que mergulham mas se isolam do fundo. Há os que mergulham e se isolam no fundo. Há os que estão mergulhados e não sabem. Há os que boiam e fingem mergulhar. Há os que estão às margens, dedo em riste, para não perder o senso do ar que respiram. Há os que estão mergulhados e sabem, sabem, sabem. Das bolhas que surgem à sua volta, esperam a salvação que não virá. Há os que ainda estão pensando se devem ou não mergulhar. Se devem temer ou não as ondas, a água gélida, as correntes marítimas e a salinização final dos oceanos. Estes ainda esperam. Mas em breve, há de as marés levantarem os seus pés inauditos. Mergulhados, logo seremos. Serenos e mergulhados.