18 janeiro 2011

sombras metafísicas



Deus, se ele existisse por minha razão, não poderia conhecê-lo - muito menos senti-lo. Conhecê-lo seria uma atitude prática e destrutiva em vista daquele que foi concebido para não existir diretamente. Portanto, me calo. Me calo não porque não posso concebê-lo; me calo porque não é preciso concebê-lo por meio de uma razão limitada. A concepção de Deus, se necessária, precisa ter um destino silencioso, isto é, o destino do conforto emudecido e imediato diante das desrazões dos homens.
É o Universo que grita por um destino conceptivo. Mas Ele não precisa de nós. Somos nós que precisamos dessa angústia - de fato, natural em alguns, provocada em outros, ou inexistente na maioria - da existência possível de um Universo sem a medida do homem. Deus tem a medida do homem, de suas questões, das suas alegrias aos seus desesperos. Não obstante é na desmedida do Universo que está encravado o destino do homem. Não sabê-lo como dimensão certa é nosso destino. Podemos apenas sonhá-lo e desejá-lo na infinitude de nossos pensamentos. Apesar dessa potência humana, não é difícil imaginar que, diante do Universo, somos a menoridade de uma escuridão repleta de dúvidas, repleta de luzes a se apagar, a emergir de escuridões impalpáveis.
Deus é o ego do homem. Seu interior não conhece limites, sobretudo os metafísicos. Tendo em vista que
o exterior do homem é repleto de limites - o exterior mesmo é um limite - então o Universo pode ser concebido como o maior de seus limites exteriores. Mas, diferente de Deus, o Universo pode ao menos ser a potência da liberdade do homem. Cabe a nós concebê-lo como um novo deus em nós mesmos.