14 outubro 2014

Filamentos


Ventania,
não posso dormir agora.
Estes ventos uivantes não sopraram
o bastante;
estes dentes do mal não engoliram
o fluxo da névoa
do campo de pedras.

Qual sorvo,
grande dama?
Quais cumes
depois destes filamentos?

"É o seu romantismo",
uivou a ventania.

Não, uivo flácido
Sou pedra lascada
Lasco bem, bem no peito
E os rastros rasgam o leque de seus olhos.

"Não sinto, não sinto esse despertar"

Não sentiu, ventania, as filandras pulsando
serpenteando fora da pedra
esvoaçando e chicoteando suas pálpebras esfumadas?

10 outubro 2014

Trampolim


sr. Nemo,
Ninguém está vendo!
Borbulhe estes instantes vazios
Deixe flutuar sobre as algas essa sua cara cansada
Encaracole suas mãos nos tempos das correntes
Gire, gire como um peixe feliz
E mire bem fundo
Na sua tristeza, no seu espanto
Nessas suas dúvidas vorazes
Mire como um jato
Uma baleia louca
Um navio submerso e insano
Mire e se atire
Seja espessura de uma arraia
Flambe, floco de vida
Flambe e
M-
     -e
        -r
           -gu
                 -lhe...
                          .
                          .
                          .

09 outubro 2014

Verbum


Amor é
sou amado
no presente;
amatus sum,
                   fui amado
no passado,
mas amatus sim,
que eu, tendo sido amado ou não em todos os tempos,
tenha sido.