na madrugada
na janela
uma vela
rompe uma chama no firmamento
- é o pássaro de fogo -
sobrevoa a pureza da vela
arde-a.
na janela
uma vela
rompe uma chama no firmamento
- é o pássaro de fogo -
sobrevoa a pureza da vela
arde-a.
tempos começam naquela madrugada:
o fio destemido
desfaz-se,
a visita do pássaro é constante
a vela apaga-se ao dia
o fogo reconstrói sua chama
à noite.
ao término da cera
quando esta se transforma
numa substância orgânica
i-m-p-u-r-a
o pássaro de fogo põe-se ao seu lado
(mas que lado, meu deus?)
já cansado de arder o tempo
sem velar
engole as suas entranhas em chamas
abriga-se em suas plumagens chamuscadas
engole as suas entranhas em chamas
abriga-se em suas plumagens chamuscadas
petrifica-se
ensaiando-se em negro
digno de ter consumido
uma fina existência.
digno de ter consumido
uma fina existência.
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