Uma pequena praia que se perdia nos confins do mundo. Os confins do mundo para o nosso mundo. Passavam férias. As crianças na areia. Um casal, mais uma menina desconfiada com o seu mundo e um pequeno menino satisfeito, etérea visão externa àquela afirmação inicial do homem, com sua lúdica carne inconsciente do mundo. Os pais levemente bonachões. Envergados nas suas cadeiras verdes-profundo-mar. Esquecidos nos confins do mundo para o nosso mundo. Esquecidos daquela praia, sonhando com suas próximas vagas futuras.
Umas ondas. Sim, umas ondas gostosas se aproximando. Uma suave brisa. Uma brisa suave mas forte na proximidade da praia. A visão da menina se contorce para o horizonte e retorna para a areia. O menino ludicamente vai ao encontro das ondas. As ondas são as ondas. Vêm na altura, balançam, quebram exatamente nos dedos do menino, retornam para o recomeço. Conhece a natureza aquele pequeno menino. Desconfia já da natureza a menina. Cinicamente desprezam a natureza, os bonachões.
As ondas correm fortes. Chegam aos dedos do menino. É um brinquedo elementar e pequeno das ondas. Seus dedos desaparecem para o fundo. A menina corre. Os pais já estão no sono e continuam nele para sempre. Ela chora. As vagas invadem toda a costa. Ela mergulha. A menina mergulha as suas ilusões. Remexe as suas bolhas de ar quase findando para o regozijo das vagas. O mar é repetição eterna. Eterna certeza até saber que sua certeza é a linha dos pés do homem.