15 abril 2014

Câmara escura


São onze e meia da manhã
e o menino ainda dorme

a lux de Rembrandt
flui macia pelo frasco da câmara
rasga o ar
modela o corpo movediço
do menino que ainda dorme

moscas zunem sonando
penetrar no tule que revolve o sono

(o Sol a pino
a tarde arrasta
o cadáver do sol
lilases noites fricativas)
 
São onze e meia da noite
um corpo entra bêbado
girando, ferindo a lux
lutando com espectros de Goya
retorcendo-se num esgar
gira, tremula, faísca
essa tormenta de formas

(dorme, menino, dorme
feixe de lux
escafandro de sombras
aquário de musgo encefálico
plâncton alcoólico
sonífero fatídico)

Nenhum comentário: