20 novembro 2011

descida da poesia


desci um livro numa cumbuca
aos vizinhos do primeiro andar
Disse: adeus, vai-te livro vagabundo
pela corrente vertical do ar,
vai-te espécie estranha
coberta de entranhas do desejar.


o livro chega nauseabundo
sem qualquer acabrunhar
sem as dores da chegada
nem saudades de parir no ar.


ninguém apareceu
(coitada da mão que o pariu)
ninguém se dispôs a lampejá-lo
nem o cachorro comeu
nem a chuva gerou o cotejar.

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