26 abril 2010

A derrota da página em branco II


"Conselhos a um principiante para enfrentar a página em branco: tratar de driblar a plúmbea tradição acumulada e buscar percepções, ideias novas. Agora, para driblar é necessário ter lido previamente muito. Pode parecer paradoxal, mas somente tendo lido muito se pode tentar a aventura de ir em busca do frescor, do gesto que devolva à arte a potência que teve em suas origens. Por isso, me surpreendem os escritores jovens que dizem escrever sem previamente ter lido bastante. Aos que dizem passar de Dickens e Proust, quero adverti-los que, como a escrita é uma carreira de fundo, com o tempo podem ficar sem uma lamparina em seu cérebro literário e se converter em desenhista de gibis, mas não em escritores. Em resumo: recomenda-se ler e ser contemporâneos. Esse último parece óbvio, mas tenha em conta que na literatura espanhola [brasileira?] algo tão simples como ser contemporâneo tem sido geralmente uma raridade."


[fonte: Enrique Vila-Matas, no El País.com, em 17/04/2009; tradução livre]