20 março 2010

ondas esvoaçantes


Quando contemplo, escrevo. Quando penso, escrevo. Quando falo, escrevo. Quando escrevo - se conseguir - traduzo. E se traduzo, é porque amo. Amo sem dó nem piedade a antiescritura (a anti-mancha), pois, quando penso, escrevo. A escrita é uma dignidade piedosa. Uma compaixão digna. A antiescritura, uma escrita libertada - mas finita. O desejo da escrita é uma ilusão do infinito. Não obstante, há sempre uma mácula a nos transitar, porque, sem desejo-de, não se pode ser.
E a Terra, o Sol, o sistema solar, a galáxia, os buracos profundos, as nebulosas? O que é a visão escritural quando a escuridão não alcança a escuridão?