invade a festa profana
para a burguesia ipanemense passar
joga fora seus corpos condicionados
nas vitrines-apartamento
Burguesia,
vem brincar!
aqui na linha tênue da rua
aqui na pontinha
com seus corpos um só modelo
tão modelos que já podem ser vendidos
for sale & samba.
vem burguesia
aqui na sarjeta
onde a água passa
e o esgoto fica
mesmo com seu ouro e sua prataria
mesmo com a Arte de seus dólares
mesmo com os celulares colados a New York, Paris and London
requebra-requebra, burguesia,
no ventinho do mar azul
vem...
no limiar da loucura carnavalesca
alô alô bourgeoisie de Ipanema
aladas faces branquinhas e rosáceas
deixa as meninas aí
e vem...
deixa as bordadeiras
de seus aquários gigantes
com seus vestidinhos cinza-azuis
saracotearem nas janelas;
deixa as novas donas aí
de camarote dançar o samba.
ô Ipanema dos burgueses
vem com Eros que ele lhe dá samba
sambalêlê, ó Ipanema, sambalêlê.