01 fevereiro 2009

Ofélia in blues

Há os que mergulham fundo e se perdem. Há os que mergulham mas se isolam do fundo. Há os que mergulham e se isolam no fundo. Há os que estão mergulhados e não sabem. Há os que boiam e fingem mergulhar. Há os que estão às margens, dedo em riste, para não perder o senso do ar que respiram. Há os que estão mergulhados e sabem, sabem, sabem. Das bolhas que surgem à sua volta, esperam a salvação que não virá. Há os que ainda estão pensando se devem ou não mergulhar. Se devem temer ou não as ondas, a água gélida, as correntes marítimas e a salinização final dos oceanos. Estes ainda esperam. Mas em breve, há de as marés levantarem os seus pés inauditos. Mergulhados, logo seremos. Serenos e mergulhados.