29 junho 2008

Pipando

A J. , ser-pater
Ao pequeno G. , ser-quark

D'uma bolsa-pipa
pipocam, explodem pipas

coloridas, tangíveis

comestíveis, vitais


abastecem o céu da laje
de ecos de cor
de movimentos, de semblantes, de verdor

dupla pipa: são pai e filho

pipando no céu tal campo de lírio


mas nada é mais eterno:

são os olhos rodeantes do filho ao pai terno

no véu do céu

olhos esferas magnéticas

rodeando o anelo paterno


uma linha sustenta as pipas

que enovelam as nuvens,

carregam fitas


a linha firme (mas como afeto de vento)

riscando como um raio levante

o caminho das pipas: semblantes


já é noite - desçam - diz Ela com ar

de mãe entre os dedos afagando a linha

nina de seu ventre luz à Via Láctea

para sempre alumiar

o crepúsculo das pipas
.

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