Sem título
O céu da boca
engole o Sol da meia-noite
Sobrevêm as estrelas cadentes
prenunciando a aurora
O astro na ponta da estrada
sulca os pés nas sombras dos gramas da alma
cintila um rastro de poeira
cósmica e relativa
Os lábios ondeiam o horizonte
devoram luz
sorvem trevas
camadas de adjetivos fátuos
(A boca da Lua à meia-noite
no largo esquerdo do peito irisado)
O Sol candente sonha na neblina do corpo
aurora as mãos
candeia os movimentos
A pele orvalha
as gotas fremem
Sinto que vêm
o espanto da manhã
a sutura do vento
a dança das flores
Vem como como boca
e me anuncia.
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