24 setembro 2014

Seis andares


A vizinha ao lado está morrendo.

A de baixo fere com sua loucura e mesquinhez.

Os chineses do outro bloco só assobiam.

Os jovens de cima se perfumam.

A do último andar, com seu vestido hippie,

esfumaça...

No primeiro andar, mora uma tevê.



Ontem faltou luz.

Na janela, acenderam as pupilas iluminadas,

– iluminadas como flashes

Uma fumaça de cigarro descoloria a noite.

E assobios, lágrimas, gritos, cheiros, risos, sussurros

coloriam a escuridão.

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