
“Os mortos estão mortos, nós sabemos disso. Mas se você não tem a memória do passado, o restante de nós não pode continuar vivendo."
Um negro voltado para o firmamento sopra uma concha, encimada, levemente oblíqua, pela mão esquerda. Ares de liberdade? Grito de guerra? Ressonância da paz? Abertas as pernas, como uma dança ritualística, com a direita dobrada à frente, e a esquerda esticada para trás, ele arqueia valentemente até o chão, segurando uma pedra com a mão direita. Firme, quebra com ela o elo da escravidão. Firme, não olha para o que se parte, guerreiro a se mover para o alto e não pra terra vã. Mas é a sua terra a conquistada. A terra que lhe permite viver mesmo quando a terra treme. Mas é a sua terra. E ele a confirma para seu povo com o sopro na concha. Diante do palácio branco. Da barbárie que o tempo não calou, a despeito do palácio branco.
Agora o palácio está em ruínas. A terra tremeu pelos homens. Porém o negro firme está, e ainda sopra a memória.